Essa é uma pergunta interessante e vale muito a pena perceber como as nossas próprias convicções podem nos cegar à manipulação.
Pretendo descrever brevemente esse processo, mas não sem antes afirmar que qualquer semelhança com a realidade atual do País é coincidência e que os casos aqui expostos são hipotéticos. Não obstante, servirão para descrever como qualquer um de nós pode ser manipulado com base no que acreditamos.
Neste artigo
- Convicções - como alguém pode explorar as suas crenças?
- Crenças e valores – o que são?
- Qual é a diferença entre crenças e valores?
- Como então podemos ser manipulados?
- O que fazer para não ser manipulado pelas suas convicções?
Leia observando como certezas, valores e vínculos podem reduzir sua margem de escolha. O foco não é abandonar convicções, mas perceber quando alguém usa suas crenças para conduzir sua decisão.
Convicções – como alguém pode explorar as suas crenças?
Para não alongar demasiadamente o texto, partiremos de alguns pressupostos:
- existem pessoas interessadas e capazes de manipular;
- essas mesmas pessoas se associam, de variadas formas, para obterem os seus resultados. Passaremos a chamá-los de “os associados”;
- as emoções dos participantes dessas associações não funcionam exatamente do mesmo jeito que as das demais pessoas. Deixam de experimentar a culpa, o medo, o remorso [poderosos REGULADORES do comportamento] ou experimentam de uma forma limitada, ou diferente;
- para atingir os resultados, “os associados” buscarão posições de decisão e influência;
- para a obtenção de melhores resultados, uma parte da estrutura “associada” deverá ser mobiliada por pessoas decentes, que servirão a três propósitos básicos: (1) servir de mão de obra na base da associação; (2) validar a associação como decente e legítima; e (3) misturar pessoas decentes numa estrutura mal originalmente intencionada, servindo para confundir no caso da obtenção dos “resultados” sofrer algum tipo de investigação.
- que as organizações estão aparelhadas por pessoas totalmente leais às “associações” para as quais foram recrutadas;
- que existem diversas “associações” cujos objetivos podem convergir ou divergir em determinado momento e contexto, não havendo um compromisso definitivo de colaboração ou competição preconcebido entre elas.
Assista atentamente o vídeo a seguir:
Crenças e valores – o que são?
As crenças e valores são o resultado do entrelaçamento [imbricação] entre as nossas emoções e construções simbólicas representadas pelas palavras que utilizamos em um idioma. Essa mistura orienta o nosso processo decisório e, em última análise, o nosso comportamento.
Pensar, se comportar e decidir sobre as coisas do dia a dia está totalmente relacionado com o idioma que você usa para pensar e refletir sobre as suas ações.
Uma grande parte dos comportamentos humanos, e especialmente aqueles que são conscientes, é guiada pelas nossas crenças e valores. Seja um movimento, uma fala, um pensamento ou uma mentira, tudo isso é orientado pelo que acreditamos e pelos nossos valores.
As crenças são pressupostos que temos sobre todo tipo de tema. Alguns vão tentar diferenciar as crenças dos valores pelo componente emocional que haveria nos valores, sendo as crenças meras suposições cognitivas sobre algum assunto.
Entretanto, não creio ser possível discernir a existência ou não da influência das emoções em qualquer conceito, ou elemento semiótico de nosso psiquismo. É simplesmente impossível dizer se um conceito simbólico está ou não associado a emoções….
Qual é a diferença entre crenças e valores?
Entendo a diferença entre crenças e valores, muitas mais pelo papel que exercem no processo decisório. As crenças influenciam a tomada das nossas decisões. Entretanto, os valores são um conjunto central dessas crenças que assumem um papel crítico e extremamente relevante no processo decisório de alguém.
Decisões simples, como escolher o seu almoço, tomar um suplemento vitamínico ou adquirir um imóvel, passam pelas suas crenças e valores. Ao escolher uma determinada comida, você pode acreditar que vai ser bom para a sua saúde. Por outro lado, apesar de acreditar que determinado alimento fará bem à sua saúde, você pode deixar de consumi-lo, pois também acredita que a sua produção utiliza trabalho escravo. Então, todo o emaranhado das nossas decisões envolve critérios [cognitivo-emocionais] que orientam o nosso processo decisório e os comportamentos decorrentes.
No exemplo anterior, o fato de você conseguir deixar de consumir determinado alimento que considera saudável mostra a preponderância de um valor sobre uma crença. Longe de ser um processo contraditório, é assim que tomamos as nossas decisões.
Como então podemos ser manipulados?

Imaginemos agora que você tem firmes convicções sobre algo. Releia os pressupostos acerca das pessoas que tentarão te manipular. Essas pessoas não se importam com você… Então elas observaram, por exemplo, que você acredita firmemente que trabalho duro traz realização, então elas, sem nenhum problema, te colocarão para fazer o trabalho que é delas.
Outro exemplo. Você é uma pessoa que tem boas ideias. Além disso, é o que eu chamo de intelectualmente generoso: oferece ideias para outras pessoas sem esperar nada em troca. Não tenha dúvida que vai aparecer alguém para se aproximar de você em busca de suas melhores ideias, não para compartilhar e transformar em algo maior, mas sim para ter menos trabalho e tirar proveito pessoal disso. Nesse cenário, vão explorar as suas convicções.
Quando damos os exemplos assim, fica fácil entender e achamos que não vamos cair nessa. Entretanto, quando estamos envolvidos no dia a dia, nem sempre é fácil perceber a atuação dessas pessoas. O que você vai perceber depois é que ganhou mais trabalho para fazer ou vai ver uma postagem de outra pessoa com o que você conversou com ela…..
No centro dessas situações estão as suas crenças e os seus valores. Afinal, você acredita que deve oferecer as suas ideias, esperando que a própria pessoa te ofereça algo em troca, como o melhoramento daquela ideia, por exemplo. No entanto, na grande maioria das vezes o que vai ocorrer é a exploração de uma pessoa pela outra. Enquanto você não perceber, isso ocorrerá.
A dificuldade em perceber se dá porque existem canalizadores do comportamento que te orientam a seguir fazendo o que você sempre fez… trabalhar duro ou oferecer ideias, por exemplo. Esses comportamentos se sedimentaram em você e te trazem satisfação. Não obstante, também abrem a oportunidade para que alguém obtenha as suas ideias sem oferecer nada em troca ou deixe de trabalhar às suas custas, o que não é nada bacana….
O principal segredo, portanto, é aumentar o grau de consciência que você tem sobre as suas ações e sobre os ambientes em que você transita.
O que fazer para não ser manipulado pelas suas convicções?
# Dica 1
O primeiro passo importante é estar consciente acerca de suas convicções, suas crenças e dos seus valores. Um exercício para isso é observar o seu comportamento e as suas decisões e inferir os seus valores a partir desses elementos.
Você pode pensar que os conhece, mas pode estar bem enganado, pois são as decisões e, em última análise, os comportamentos que revelam os critérios [cognitivo-emocionais] do nosso processo decisório.
Uma pessoa materialista, por exemplo, pode estar bastante vulnerável à manipulação pela ganância!

# Dica 2
Outro passo para deixar de ser manipulado é evitar decidir por impulso. Criar um cenário de urgência é uma das estratégias mais utilizadas pelos manipuladores.
# Dica 3
Conhecer as principais estratégias utilizadas para manipular também é uma boa prática, pois te proporcionará a oportunidade para perceber quando uma situação negativamente persuasiva estiver ocorrendo.
Normalmente usarão estratégias emocionais e tentarão utilizar motivadores comuns como o narcisismo, a ganância, a preguiça, entre outros. Nem todos os motivadores são negativos, como a pessoa que tem seu trabalho explorado, por exemplo,
# Dica 4
Releia nossos pressupostos acima e perceba que os ambientes persuasivos não são comumente óbvios e os manipuladores podem te inserir em contextos bem complexos e difíceis de discernir em um primeiro momento. É o caso que pode ocorrer na política e nos negócios em grandes corporações, por exemplo.
Fique sempre atento sem perder a sua qualidade de vida, esse é o meu conselho final.
Para aprofundar
Quando alguém explora convicções, valores ou vínculos, o risco não está apenas no argumento usado. Está na forma como a situação reduz sua margem de escolha. Para ampliar essa leitura, veja também como agir antes do impulso, especialmente quando promessa, culpa ou aprovação começam a conduzir a decisão.
