Preconceito e aparência física estão intimamente relacionados. Preconceitos são constituídos premissas que se entrelaçam com emoções.
Isso ocorre durante a vida e pode ser fruto de uma educação intencional [como em sociedades racistas], nas quais a cultura coletiva promove práticas preconceituosas (OH; DOTSCH; TODOROV, 2019; PIRES; BRANCO, 2023).

As premissas dos preconceitos sofrem um processo de generalização. Uma criança pode dizer que não gosta de banana e maça, porque experimentou abacate e não gostou.
Teste sobre percepção da primeira impressão
A seguir, faça o nosso teste para experimentar a percepção da primeira impressão. Você verá as mesmas imagens que o Dr. Todorov vem utilizando em suas pesquisas.
Entenda como o preconceito se forma
O importante para nós é termos em mente que os preconceitos:
- são constituídos por unidades indissociáveis de premissas e emoções;
- não são necessariamente negativos ou positivos;
- são crenças que não precisam de qualquer sustentação em evidências para operarem os seus efeitos cognitivos, emocionais e comportamentais (UDDENBERG, 2023);
- após construídos, como toda crença, são resistentes à mudança;
- a pessoa preconceituosa não será sensível a estratégias cognitivas de mudança;
- são as emoções, entrelaçadas com as premissas, que mantém o preconceito e representam a sua resistência.
Vejamos um exemplo:
Ao longo do tempo, o indivíduo que adota essa premissa [por qualquer razão que seja] começa a experimentar raiva ao ver, lidar ou até mesmo pensar em pessoas azuis.
Então, esse processo orienta a construção de uma crença, por nós chamada de preconceito, como uma forma de dar um significado negativo ao mesmo construto. Todo preconceito é uma crença e obedece aos mesmos processos biopsicológicos de construção. Nesse sentido, ele não é nem negativo ou positivo. É apenas um conjunto de premissas sem sustentação e muito resistente à mudança.
Na comunicação não verbal, temos um campo de estudo que se interconecta com a pesquisa sobre preconceitos: é o estudo das percepções que a aparência física causa no observador.
Nesse caso, podem existir elementos culturais ou evolutivos que nos orientam a termos, não conscientemente, impressões semelhantes.
Os estudos mostram que as primeiras impressões ocorrem muito rápido [30 milissegundos], e não são, necessariamente, resultado de um processo avaliativo cognitivamente elaborado (TODOROV; OH, 2021; UDDENBERG, 2023).
Não se assuste se você notou um padrão nas escolhas. O importante é saber que qualquer viés pode ser regulado conscientemente desde que:
- a pessoa perceba esse viés;
- tenha o desejo de alterá-lo e conte com a ajuda para isso, caso precise; e
- pague o preço da mudança, pois qualquer transformação exige esforço.
Se você sentiu curiosidade ou quer aprender mais sobre isso, veja:
Referências
JAEGER, Bastian et al. Can we reduce facial biases? Persistent effects of facial trustworthiness on sentencing decisions. Journal of Experimental Social Psychology, v. 90, p. 104004, 2020.
OH, DongWon; DOTSCH, Ron; TODOROV, Alexander. Contributions of shape and reflectance information to social judgments from faces. Vision research, v. 165, p. 131-142, 2019.
PETERSON, Joshua C. et al. Deep models of superficial face judgments. Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 119, n. 17, p. e2115228119, 2022.
PIRES, S. F. S.; BRANCO, A. U. Protagonismo como valor estruturante: Enfrentando a invisibilidade infantojuvenil na escola. Revista Portuguesa de Educação, v. 36, n. 2, p. e23035, 2023. DOI: 10.21814/rpe.27217.
TODOROV, Alexander; OH, DongWon. The structure and perceptual basis of social judgments from faces. In: Advances in experimental social psychology. Academic Press, 2021. p. 189-245.
UDDENBERG, Stefan et al. Iterated learning reveals stereotypes of facial trustworthiness that propagate in the absence of evidence. Cognition, v. 237, p. 105452, 2023.

