A mentira na vida diária sempre foi um dos interesses de pesquisa para a psicóloga Bella DePaulo que, em seus estudos, levantou uma série de questionamentos acerca da mentira.
Um dos seus artigos sobre o assunto intitula-se “The Many Faces of Lies” e busca levantar:
- Quantas vezes as pessoas mentem?
- Sobre o que as pessoas mentem?
- Como os mentirosos justificam suas mentiras?
- Que tipos de pessoas dizem mentiras mais facilmente?
Esses são os principais questionamentos, entre outros abordados no estudo, o que demonstra a complexidade de determinar o que seria mentira ou verdade.
Quando interagimos com sinceridade, nós escolhemos os aspectos mais relevantes – à nossa percepção – para a conversa em curso fluir melhor, e atingir os nossos objetivos (transmitir nossa experiência), sem qualquer tentativa de induzir ao erro.
DePaulo ainda reconhecia a necessidade de possuir um número bem maior de participantes em suas pesquisas, a fim de que a mesma fosse mais fiel possível nos resultados. “In our wildest dreams, we wanted to recruit a nationally representative random sample of Americans.”
Interessante como foi respondida a primeira questão do seu artigo: Quantas vezes as pessoas mentem? Até o final da semana, os 147 participantes tinham registrado um total de 1.535 em mentiras nos seus diários (ver Tabela 1 do artigo).
Isso equivale a duas mentiras por dia para os estudantes universitários, ou uma mentira em cada três de suas interações sociais, e uma mentira um dia para as pessoas na comunidade, ou uma mentira em cada cinco de suas interações sociais. Divergindo brutalmente dos dados da pesquisa realizada por Robert Feldman.
E mais, os participantes mentiram mais sobre: (1) os seus sentimentos e opiniões; (2) suas ações, planos e paradeiro, (3) o seu conhecimento, realizações e fracassos; (4) explicações para a seus comportamentos e (5) fatos e pertences pessoais. Demonstrando que ainda mentimos muito por frustrações próprias, como citado no artigo “Mentiras sinceras nos interessam?”
Por exemplo: temos duas pessoas numa família – uma nunca mente, a outra conta 20 mentiras por dia. Se formos utilizar a média, transformaremos a pessoa que nunca mente em um “mentiroso médio” e ainda “quebramos o galho” do mentiroso compulsivo!
Não acho que isso seja muito justo…..
Vale a pena ver:
Individual differences and lying in everyday life – de Edel Ennis e Aldert Vrij
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Um abraço
Sergio Senna
