Nesse artigo mostro quais são as fases gerais de qualquer golpe. Leia com atenção e fique mais protegido.
Muitas pessoas, ao saberem que eu estudo cientificamente o fenômeno da mentira, me perguntam sobre os golpes diários que são aplicados em nossa sociedade e querem saber se há formas de se prevenirem sobre isso.
Estive pensando como ajudar essas pessoas e resolvi escrever alguns artigos que explicam os mecanismos psicológicos dos golpes, o que pode ajudar os nossos leitores a se conhecerem melhor e entenderem por que podem entrar na lista de vítimas dos vigaristas.
De fato, as atitudes preventivas são muito simples. Entretanto, as pessoas caem em golpes infantis, sendo muito comum que a própria vítima nem acredite que foi tão ingênua….
A informação completa, temos em um conjunto de quatro artigos.
Veja, a seguir, um resumo sobre essas fases. Uma boa estratégia preventiva começa entendendo quais são as fases gerais de um golpe bem elaborado.
Toda picaretagem passa por três fases principais:
- A promessa;
- A fidelização;
- O truque.
Nesse vídeo, explico as fases do golpe:
Vejamos sucintamente cada uma das fases. Se você desejar detalhes, leia as matérias específicas sobre cada fase.
A PROMESSA
Na fase da promessa, o vigarista vai:
(1) chamar a atenção da vítima;
(2) estabelecer algum tipo de contato;
(3) e introduzir a sua proposta.
Nessa fase, em golpes mais elaborados, outros comparsas podem participar para dar mais credibilidade ao picareta que está interagindo com as vítimas. Apesar disso tudo, essa fase se caracteriza por uma promessa “irrecusável”.
Sob o ponto de vista psicológico, pessoas vaidosas ou gananciosas são vítimas potenciais, sempre procuradas pela atenta percepção dos estelionatários. Essas características as fragilizam brutalmente, tornando-as presas fáceis…
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A FIDELIZAÇÃO
A fidelização é caracterizada por algum tipo de estratégia que tenha por objetivo dar credibilidade à proposta realizada na fase anterior. Nessa fase, são utilizados artifícios que levem a vítima a acreditar que a proposta é verdadeira e que ela sairá ganhando.
Por exemplo, alguém que quer se fazer passar por um médico, pode pedir que um comparsa ligue para o telefone da vítima (um hotel, por exemplo) procurando pelo Dr. Fulano, que está hospedado ali, ou mesmo enviar alguma mensagem escrita ou radiografia que será “examinada” diante da vítima.
Cumplices estrategicamente ensaiados também são comumente utilizados nessa fase. Alguém que chega e fala de uma compra anterior bem sucedida, alguém que ganha o prêmio etc. O que a vítima não sabe é que essas pessoas fazem parte do esquema.
Sem falar muito, um ambiente de credibilidade pode ser rapidamente construído, tornando a vítima mais suscetível ao golpe. É uma fase muito importante para que qualquer falcatrua seja bem sucedida. Afinal, por que alguém depositaria R$ 2.000,00 numa conta bancária alheia para receber R$ 20.000,00? Se você vai receber tanto dinheiro, basta descontar a taxa da quantia a ser recebida…. Entretanto, esse é um dos golpes mais aplicados e bem sucedidos no Brasil.
O TRUQUE
Na fase do truque, alguma estratégia será utilizada para trocar o produto, o maço de dinheiro, as cartas do jogo, o que quer que seja o objeto do golpe.
Esse momento se caracteriza pela distração da vítima enquanto o truque é realizado. Normalmente, os golpistas são verbalmente muito hábeis e também nos movimentos manuais. Os estelionatários também incluem elementos de controle nessa fase, como por exemplo garantir que a vítima esteja num local específico durante um determinado período de tempo necessário à realização do truque.
Além disso, alguma situação externa pode ser criada para distrair a vítima apenas pelos instantes necessários à realização do “truque”. Um casal tendo uma acalorada discussão em tom de voz alto sobre assuntos pessoais é um exemplo dos artifícios mais utilizados para distrair as vítimas.
Os meus conterrâneos cariocas sabem do que estou falando quando lembram daqueles jogos de cartas lá do Largo da Carioca, nas proximidades do Ed. Av. Central (quem nunca parou para ver aqueles jogos?). É alguém que grita no meio da multidão ou um “espectador” que interage, roubando a atenção por alguns breves instantes.
Nesse artigo, expliquei as fases gerais de qualquer golpe. Lembre-se que, dependendo da criatividade dos criminosos e de sua proficiência, essas etapas podem ser difíceis de identificar e também podem ocorrer simultaneamente.
Nos próximos artigos, explicarei melhor quais são os mecanismos psicológicos dos quais os vigaristas se valem para tentar nos enganar em cada uma dessas fases.
Veja a matéria do Jornal de Brasília, do dia 23 de janeiro de 2013, sobre esse assunto:
Faltou uma abordagem um pouco mais didática, como a que estamos apresentando aqui, mas valeu a matéria, não?
Outra matéria, agora acerca dos picaretas que exploram a curiosidade das pessoas sobre a tragédia em Santa Maria – RS
Todo o cuidado é pouco, siga aprendendo nas matérias do IBRALE!
Abraço
Sergio Senna
Essa postagem foi inicialmente elaborada em janeiro de 2013. Foi revisada e ampliada, por Sergio Senna, em julho de 2022.
