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Expressões faciais fingidas são eficazes?

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Nossas reações comportamentais têm relação com as expressões faciais de nossos interlocutores

Em meus cursos, alguém sempre  pergunta se é possível falsificar tão bem as expressões faciais a ponto de que não seja possível perceber se as emoções relacionadas são reais ou não.

Esse é um tema bastante complexo e vai muito além da mera interpretação das expressões faciais. Inicialmente, a preocupação das pessoas com as conseqüências de suas interpretações parece ser relevante nesse caso.

Na verdade, muito do nosso comportamento é orientado pela interação social e, nesse contexto, as expressões faciais de nossos interlocutores (de certa forma) provocam nossas reações. O que você faria diante de uma cara como essa que exemplificamos acima?

Nossas reações comportamentais dependem de nossa percepção do interlocutor, o que inclui suas expressões faciais.

Penso que é por esse motivo que as pessoas tanto se preocupam em corretamente interpretar os possíveis significados das expressões faciais e das emoções a elas relacionadas. Percebo um receio em tomar decisões com base em um display de emoções fingidas. É sobre isso que vamos tratar.

Expressões Faciais e Persuasão

As interações humanas são permeadas pela persuasão. Na prática, persuadir significa influenciar o processo decisório de alguém para que realize a vontade do persuasor (oculta ou manifesta). Nesse contexto, a persuasão não se reveste de bondade ou maldade.

Os pais devem persuadir seus filhos a seguirem certos valores que lhes ensinam. Igual raciocínio pode ser feito para diversos processos educativos. Quando se diz que o “exemplo arrasta”, deseja-se enviar a mensagem de que o comportamento de um líder é um forte persuasor e pode contar mais do que as palavras. Por outro lado, um estelionatário mal intencionado pode utilizar-se de técnicas de persuasão para “vender” algo que não existe, por exemplo.

Dessa forma, a utilização de técnicas de persuasão é uma questão moral, que pode ser classificada como um perigo, dependendo de como o persuasor deseja intervir em nosso processo decisório.

Uma vez que o aprimoramento da utilização de técnicas persuasivas pode trazer prosperidade financeira, vivemos à mercê de nosso bom senso e de nossa capacidade de discernir entre as “boas” e “más” persuasões.

Quer aprofundar?

Qual a relevância das expressões faciais para julgar a persuasão?

Antes de tudo, é necessário esclarecer que existem diversos “tipos” de expressões faciais. As mais difíceis de serem “fingidas” são aquelas ligadas ao funcionamento do nosso sistema nervoso autônomo. Normalmente são muito breves no tempo em que ocorrem e aparecem sem que tenhamos tempo para suprimi-las. Um bom mentiroso pode controlar muito bem as suas emoções, mas terá capacidade de fazê-lo o tempo todo?

expressões faciais e linguagem corporal

Vejamos um exemplo:

Bill Clinton, em um discurso ocorrido em 26 de janeiro de 1998, resolve falar sobre o caso Mônica Lewiski. Note que ele, ao ser aplaudido, produz um breve sorriso que tenta controlar apertando os lábios. Esse sorriso é uma reação autonômica de satisfação (narcísica) pelo sucesso em enganar e é conhecido na literatura científica como duping delight.

Na foto a seguir, essa expressão foi produzida pelo ator Sam Rockwell que interpreta a personagem Justin Hammer no filme Homem de Ferro 2. A cena se dá em meio à satisfação de Hammer enquanto assiste ao trágico embate entre Tony Stark e seu oponente Ivan Vanko.

Linguagem corporal expressão facial duping delight

Nesse caso, o duping delight foi bem encenado e mostra que expressões faciais podem sim ser “encenadas” de forma convincente, o que nos serve de alerta para que não nos apoiemos em uma única técnica de percepção.

Ensino aos meus alunos que devemos observar diversas dimensões, entre as quais a linguagem corporal joga um papel fundamental. É necessário observar o que a pessoa fala, como se movimenta, quais são as suas expressões faciais e quando todos esses eventos ocorrem em relação aos outros.

Pode parecer algo difícil, mas asseguro que com o devido treinamento e com a aplicação das técnicas adequadas, toda essa observação é realizada sem tanto esforço.

Fica então o alerta: não existe um único e definitivo sinal da mentira! Nem mesmo as microexpressões faciais são capazes de, isoladamente, desmascarar todos os mentirosos.

Veja mais no artigo: A mentira aparece no rosto?

 

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