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Radiografia dos golpes: a fidelização

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Esse é o artigo que explica a fase dos golpes conhecida como fidelização ou adesão e faz parte de nossa série que mostra a radiografia dos golpes.

Na matéria “Radiografia dos Golpes I”, vimos que, no geral, os golpes têm três fases: (1) a promessa; (2) a fidelização; e (3) o truque.

Quando explicamos a fase da promessa, dissemos que o vigarista precisa chamar a atenção da vítima, estabelecer algum tipo de contato e introduzir a sua proposta.

Veja o que o Dr. Sergio Senna diz sobre a fase da Fidelização.

 

A credibilidade de um golpe

Depois que a promessa é realizada, é necessário construir a credibilidade de que o grande negócio é verdadeiro e que a vítima deve aderir à proposta, ainda que a promessa pareça incrível.

Essa é uma fase em que os golpistas exercitam a sua criatividade, principalmente abusando de estratégias não verbais. Sem ganhar a credibilidade por um período limitado não há como aplicar o golpe.

Vou explicar com base na figura abaixo.

 

Linguagem corporal - golpe

 

Nessa situação temos um golpista atuando na fase da fidelização. Ele deseja passar um cheque sem fundos. Para tanto:

A fase da credibilidade é construída assim, através das inferências que fazemos ou através de “provas” reais que os golpistas nos oferecem para que o produto seja trocado na fase do truque.
  • enviou para si mesmo uma radiografia que fez questão de examinar em frete da vítima, o que vemos na foto 1; 
  • logo depois ele propõe pagar com cheque (o que é proibido pelo hotel); 
  • na sequência (foto 2), ele recebe uma ligação sobre uma operação urgente, e o monólogo telefônico diante da vítima.

 

O contexto de credibilidade já está criado – um médico importante, totalmente confiável.

Baseada nessas evidências: ver o “médico” examinando uma radiografia (estratégia não verbal) e na suposta ligação (estratégia verbal), a vítima está convencida de que pode aceitar o cheque sem medo.

 

Nossos sentidos e os golpes

Os estelionatários se aproveitam do funcionamento básico de nosso psiquismo que é contextualizarmos através do que percebemos pelos nossos sentidos. Quando ficamos cientes disso, passamos a confiar menos no que vemos, ou pelo menos a considerar que nossos sentidos têm muitos limites. Vejam a ilustração abaixo:

 

Linguagem corporal - golpe

 

Ganhar a proposta envolvia puxar os cordões que estavam escondidos. Aqueles que apareciam não proporcionariam ganho à vítima, então o golpista não tinha como perder!

Esse é um exemplo de como os picaretas enganam os nossos sentidos. Entretanto, na fase da fidelização ou adesão você deverá estar atento às coisas que ocorrem na sua frente e que tentam dar credibilidade à proposta.

 

Preste atenção a uma proposta (normalmente muito lucrativa) de desconhecidos, seguida de estratégias para dar credibilidade às pessoas desconhecidas ou à proposta em si.

 

Encerro com a citação de uma estelionatária: 

Os golpistas conhecem as pessoas – eles sabem como pensam e por que fazem certas escolhas. Uma mulher atraente, que parece doce e inocente, pode ser a mais perigosa estelionatária, porque as pessoas vão naturalmente baixar a guarda e esse será o seu pior erro …

 Abraço

Sergio Senna

 

Siga para o próximo artigo desta série:


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