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Quando o assunto é persuasão, linguagem corporal e análise da mentira, é muito importante considerar que muitas pessoas já leram os mesmos livros que você.

Costumo escrever artigos técnicos na tentativa de popularizar o conhecimento científico sobre linguagem corporal e persuasão. Entendo que ler artigos em revistas científicas pode ser muito chato para algumas pessoas, até porque são escritos em uma linguagem muito hermética e, não raras vezes, em outros idiomas, o que torna o acesso a essa informação muito difícil para uma grande quantidade de pessoas.

Transito em ambientes que costumam ser muito artificiais e nos quais as pessoas utilizam de estratégias de persuasão, de influência e de convencimento com acentuada frequência para tentar melhorar as suas chances de conseguirem os resultados que desejam.

Entretanto, as pessoas têm me enviado emails pedindo que eu fale mais sobre a minha experiência em utilizar esse conhecimento e sobre as minhas opiniões. Resolvi iniciar esse novo tipo de matéria comentando algo que ocorreu na semana passada.

Eu trabalho com políticos no Congresso Nacional. Então, os ambientes em que transito costumam ser muito artificiais e as pessoas utilizam estratégias de persuasão, de influência e de convencimento com acentuada frequência para tentar melhorar as suas chances de conseguirem os resultados que desejam.

Semanalmente, participo de muitas reuniões em que pessoas totalmente estranhas precisam interagir para negociarem. 

linguagem corporal persuasão negociacao-congresso-nacional

Às vezes, acompanho os políticos nessas reuniões; em algumas delas, eu me reúno sozinho com as equipes técnicas para acertar detalhes do que já foi decidido, de forma geral, pelas autoridades.

 

Contando um caso sobre linguagem corporal e persuasão

Em uma dessas ocasiões, uma pessoa tinha um interesse claro em que determinado tema fosse encaminhado da forma defendida por ela. Eu percebi logo de cara…. Essa pessoa, então, começou a utilizar algumas técnicas dessas que são ensinadas em livros de autoajuda para melhorar a persuasão. Mostrou interesse por mim, tentou criar algum elo de identificação, fez perguntas sobre meu trabalho, essas coisas…

Nunca se esqueça de que as outras pessoas também leem os mesmos livros que você e se for aplicar técnicas de persuasão em alguém, fique atento, pois essa pessoa pode ser mais inteligente ou perceptiva que você.

Ao perceber essa estratégia, resolvi fazer um teste. Fui esvaziando as minhas atribuições, como se não pudesse resolver nada. Tudo de forma muito discreta para que ela não percebesse que estava sendo colocada a prova.

Com o meu plano em andamento, notei a perda de interesse da pessoa, o que resultou em um fim antecipado de nossa reunião. Percebi que estava correto na minha avaliação. Eu estava mesmo sendo vítima dessas estratégias baratas de persuasão.

O que essa minha interlocutora não sabia é que ela havia sido testada e reprovada!

 

Entendi que já leram os mesmos livros, o que devo fazer então?

Penso que seria muito mais produtivo para ela que simplesmente mostrasse o seu interesse sobre o assunto em si, que mantivesse a objetividade sobre aquilo que defende, ao invés de tentar utilizar técnicas para me convencer. As questões a serem tratadas nesse caso concreto eram técnicas, não eram de opinião ou ideológicas, então não havia necessidade do emprego de persuasão.

linguagem corporal persuasão

Feito esse resumo do ocorrido, quero refletir com você, que gosta e lê esses livros de persuasão, para que nunca se esqueça de que as outras pessoas também os leem.

Não pense que eu sou radical, é que a situação ocorrida tem muitos outros detalhes que omiti aqui para manter a concisão do texto. Então, se você for aplicar essas técnicas com alguém, fique atento, pois o seu interlocutor pode ser mais inteligente ou perceptivo que você.

Além disso, dependendo de como se dá a interação, a utilização dessas estratégias de linguagem corporal e persuasão, se descoberta, pode ganhar um significado negativo (como ocorreu no meu caso) e a pessoa pode perder todo o apoio que poderia conseguir se fosse mais objetiva, sem tentar mostrar um interesse artificialmente produzido e que efetivamente não existia.

Então, cuidado como você aplica as fórmulas mágicas que vendem por aí, pois, em termos de linguagem corporal e persuasão, muitas pessoas já leram os mesmos livros que você!

Veja também essa página sobre persuasão (em inglês)

Boa leitura
Sergio Senna